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CADERNO ABERTO

pensamentos fora de mim.

Escrevo porque observo. Observo porque existo. Manifesto o que sinto.
I.

Coração

Um lugar muito ruim de morar
é o coração.

Quem entra
recebe tudo.

Átrios e ventrículos em sobrecarga.

Camadas demais.
Embaralhado em afetos,
mecanismos em exaustão,
episódios falhados.

As válvulas não impedem,
apenas regulam o colapso.

Aqui tudo pulsa
além do limite.

Aviva.
Coração não é abrigo.

II.

Seres dicotômicos

A grande dicotomia da vida moderna
é amarmos pessoas avessas a nós mesmos.

Reparo: não dói ser “diferente”.
Dói ser avesso.

O diferente amplia.
O avesso desacata.
E vira ao contrário.

Amar o avesso
exige aceitar não compreender.

E é um encontro
com essa incapacidade.

III.

Caneta BIC

A vida é um caderno em branco.

Nossas ações,
caneta BIC.

Cada risco fica.
Da primeira, penca outro.
A direção é você.

Não tem anjo.
Não se repita.

Mesmo no baratinho
só dramatiza a tentativa.

Assuma os riscos
dessa folha que já não é branca.

Vire a página.
Ainda há espaço
para outro traço.

por enquanto, fim.